A Transformação Digital não é, em sua essência, um processo tecnológico. É, antes de tudo, uma revolução filosófica sobre como existimos, nos relacionamos e produzimos sentido no mundo. Na superfície, ela se apresenta em softwares, dados, plataformas e algoritmos; mas, em sua profundidade mais radical, ela remodela a própria experiência humana. E é justamente nesse ponto que a Geração Z se torna um espelho decisivo, não para o futuro, mas para o presente que muitas (os) líderes ainda relutam em enxergar.
Em Como Liderar as Novas Gerações, argumento que a Geração Z não é um fenômeno comportamental isolado, mas a primeira geração socializada em um ambiente digital pleno, em que identidade, pertencimento, trabalho e subjetividade se constroem simultaneamente no físico e no virtual. A liderança tradicional nasceu em um mundo de fronteiras estáveis; a liderança das novas gerações nasce em um mundo de fronteiras fluidas. Por isso, liderar a Geração Z não é apenas ajustar práticas, é principalmente transformar paradigmas enraizados pelas gerações mais antigas.
A Transformação Digital exige gestores capazes de compreender que seus liderados não habitam apenas o espaço físico da organização, mas um “espaço híbrido de existência”, em que experiências digitais moldam expectativas sobre autonomia, velocidade, liberdade e propósito. A Geração Z cresceu atualizando aplicativos, não organogramas. Ela entrou no mundo do trabalho já habituada a versões beta, e não a estruturas rígidas. É natural que as novas gerações esperem ajustes constantes, ciclos curtos, respostas rápidas e comunicação transparente. Elas não estranham a mudança: estranham a lentidão.
Nesse contexto, muitos gestores enfrentam uma dissonância profunda. Foram formados para interpretar o mundo por lentes estáveis, hierarquias, previsibilidade, controle e agora precisam liderar jovens que só reconhecem autoridade se houver clareza de propósito, coerência, abertura e horizontes éticos compartilhados. A Transformação Digital torna visíveis essa tensão e suas consequências: líderes que insistem em modelos antigos não perdem apenas talentos; perdem relevância.
Do ponto de vista filosófico, liderar na era digital é compreender que a tecnologia não amplia apenas a capacidade humana, mas também as vulnerabilidades humanas. O excesso de informação produz ansiedade; a exposição constante provoca insegurança; a lógica performática das redes sociais impacta autoestima e relacionamentos profissionais. A Geração Z chega ao trabalho carregada de potencial, mas também de fragilidades digitais que não podem ser ignoradas. É responsabilidade da (o) líder reconhecer que cuidar de pessoas, hoje, significa também cuidar da saúde emocional que a hiperconexão ameaça diariamente.
A liderança que floresce na Transformação Digital é, por isso, paradoxal: ao mesmo tempo em que demanda domínio de ferramentas, exige um retorno à dimensão humana mais profunda, empatia, acolhimento, diálogo e um sentido de propósito que transcende métricas. A tecnologia conecta, mas não garante pertencimento. A informação circula, mas não produz sabedoria. A velocidade aumenta, mas não substitui o discernimento. É nesse intervalo entre técnica e humanidade que a (o) líder contemporânea (o) é convocada (o) a atuar.
Se a geração anterior buscava estabilidade, a Geração Z busca significado. Se antes o trabalho era um meio, para muitas (os) jovens ele se tornou parte da identidade. E, nesse cenário, a Transformação Digital impõe uma reflexão necessária: líderes que não compreendem o que lideradas (os) valorizam não conseguem engajá-las (os). A (o) líder do futuro e, na verdade, do presente, precisa aprender a conversar com uma geração que pensa como designer, age como creator e aprende como nativo digital. Essa geração não se motiva apenas por metas; ela se engaja por sentido.
Assim, o impacto da Transformação Digital na liderança não reside apenas na adoção de ferramentas, mas no deslocamento epistemológico que ela impõe. Liderar a Geração Z significa reconhecer que estamos diante de uma forma inédita de existência, mais líquida, mais crítica, mais veloz e mais sensível. Uma geração que demanda líderes dispostos a desaprender, a experimentar e a construir, com eles, novos modos de viver o trabalho.
No fim das contas, a Transfomação Digital é tem menos relação com a tecnologia e mais com um convite: o convite para que líderes se tornem aprendizes novamente. Porque, para liderar a Geração Z, não basta saber o que fazer, é preciso compreender quem ela é. E é nesse encontro entre humanidade e tecnologia, entre filosofia e gestão, que emergem os líderes capazes de guiar organizações em um mundo que não para de se reinventar.
E você, líder, está preparada (o) para esta transformação?
Como citar essa pensata: Barbosa, Aline dos Santos. O impacto da Transformação Digital na liderança da Geração Z: o que gestores precisam aprender. Schola Akadémia, v.4, n.1, p. 1-3. Disponível em: www.scholaakademia.com, 2025.
Sobre a autora
Aline Barbosa
Filósofa, Doutora e Mestra em Administração de Empresas. Especialista em Comuncação, Mercado e Tecnologias de Informação. Bacharel em Comunicação Social. É professora, Investigadora Social, Gestora, Consultora e Mentora Acadêmica. Tem interesse de pesquisa nas temáticas sobre Filosofia, Ética, Desigualdade de Gênero nas Organizações e Sociedade, Violência contra as Mulheres, Carreiras não Tradicionais, Estratégia, Internacionalização, Inovação e de Sustentabilidade, e publica estudos nacionais e internacionais sobre estes tópicos.










